Na manhã de sábado, Israel e Estados Unidos lançaram um bombardeio massivo contra o Irã após semanas de negociações nas quais os Estados Unidos pretendiam impor seus interesses sob a ameaça do maior desdobramento militar na região desde a Guerra do Iraque.
Os bombardeios ecoaram esta manhã em Teerã. Israel confirmou sua participação nos ataques, que classificou como “ataques preventivos”, segundo o gabinete do ministro da Defesa. Os Estados Unidos lançaram ataques a partir do USS Lincoln, localizado ao sul do Golfo. Segundo o New York Times, autoridades americanas esperam que o ataque seja muito mais amplo do que os bombardeios realizados pelos Estados Unidos em junho passado contra as instalações nucleares do Irã, durante a “Guerra dos 12 dias”.
A operação, nomeada por Benjamin Netanyahu como “Rugido de leão”, já atingiu Teerã, Qom, Kermanshah, Isfahan e Karaj. Segundo diversas fontes, os ataques teriam como alvo as instalações nucleares do Irã, seu programa de mísseis balísticos e os principais representantes do regime, enquanto Ali Khamenei foi evacuado.
Os ataques em curso ocorrem após semanas de negociações condicionadas pela alta pressão imperialista dos Estados Unidos e de Israel, que buscavam impor unilateralmente ao Irã o abandono de seu programa nuclear, a destruição dos centros de enriquecimento de urânio de Fordow, Natanz e Isfahan, e inclusive a proibição do enriquecimento de urânio para fins civis energéticos, além do desmantelamento total de seu programa balístico.
Os Estados Unidos estão utilizando as bases militares de Morón de la Frontera e Rota como pontos-chave para o trânsito e apoio de seus aviões militares em sua ofensiva contra o Irã. Ambas as instalações desempenham um papel estratégico ao servir de escala e suporte logístico para as aeronaves que cruzam em direção à região.
Na noite de sexta-feira para sábado, multiplicaram-se os sinais de uma guerra iminente, com a evacuação de várias embaixadas, enquanto a embaixada dos Estados Unidos no Catar solicitou o confinamento de seu pessoal.
Donald Trump publicou um discurso de oito minutos na Truth Social para anunciar a entrada dos Estados Unidos na guerra contra o Irã. “Nosso objetivo é defender o povo americano eliminando as ameaças iminentes do regime iraniano, um grupo perverso de pessoas muito duras e terríveis. Suas atividades ameaçadoras colocam diretamente em risco os Estados Unidos, nossas tropas, nossas bases no exterior e nossos aliados em todo o mundo.” Benjamin Netanyahu afirmou que a operação tinha como objetivo desmantelar o regime iraniano, mirando altos representantes do regime e alvos civis.
Trump chegou a afirmar que é possível que os Estados Unidos percam soldados americanos na guerra em curso, preparando o terreno para um conflito de alta intensidade.
O Irã respondeu com o lançamento de mísseis sobre o norte de Israel e ataques às bases militares dos EUA na região.
Em suas declarações, Trump chamou os iranianos a se levantarem contra o regime iraniano. No entanto, esses ataques imperialistas não têm nada a ver com a defesa dos interesses da classe trabalhadora e dos povos da região — muito pelo contrário. De mãos dadas com o imperialismo, só podem se reforçar as correntes de submissão e opressão do povo iraniano e dos povos da região. Seu objetivo é fortalecer o controle imperialista sobre o Oriente Médio e os interesses do Estado de Israel enquanto conduz um genocídio contra o povo palestino.
É urgente desenvolver a mobilização massiva contra a intervenção militar dos Estados Unidos e de Israel na região, de forma independente do regime iraniano. Com ESQ / DIÁRIO