Sábado (27) foi dia de festa no Bixiga. Ali no 121 da rua Rui Barbosa, bem ao lado do Teatro Sérgio Cardoso, a Padaria Italianinha comemorou seu 129º aniversário. Tendo música italiana na calçada na programação, com apresentação do cantor Edson Passarinho. A casa fundada em 1896 é comandada por cinco mulheres da família Franciulli (quatro irmãs e a filha de uma delas). Para uma história tão longeva, três ingredientes são a base: qualidade dos produtos, excelência do atendimento e “a união da própria família”, afirmou Sandra Franciulli, 45 anos, a caçula das irmãs.
Esse respeito à tradição e sua longevidade fizeram a Italianinha ser contemplada com o prêmio Comércio Histórico – Estabelecimentos Tradicionais de São Paulo, criado pela agência de notícias DC NEWS, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Junto de Sandra trabalham na Italianinha suas irmãs, Vivian, Elaine e Solange. A sobrinha Nathalia, filha de Elaine, comanda os antepastos e as novidades do cardápio, e deve seguir como a quarta geração no estabelecimento que está com a família desde os anos 60, quando o avô de Sandra, o italiano Rafaelli Franciulli, comprou a padaria. Segundo registros da prefeitura, ela foi fundada pelo também italiano Felipe Ponci – nome que aparecerá como Filippo Ponzio nas origens de outra premiada do projeto Comércio Histórico 2025, a Basilicata.
Na época da compra pelos Franciulli, a Italianinha havia acabado de mudar de nome. De uma forma um pouco à revelia, pode-se dizer. Quando nasceu, no fim do século 19, era Lucânia, forma antiga de designar uma parte da atual região de Basilicata, no sul da Itália. Com as obras de alargamento da Rui Barbosa, a padaria perdeu a maior parte de seu espaço – o local atual corresponde ao que era ocupado como depósito de lenha. A redução do estabelecimento levou os clientes a começarem a chamá-la pelo diminutivo, já que havia ficado bem menor. E assim nasceu a Italianinha. Hoje são 20 metros quadrados. E algumas mesas que são colocadas na calçada para quem quiser se servir no local. A solução inclusive atende a um novo perfil de cliente, o que vai consumir ali e não apenas levar para casa. “Os carros-chefes nossos ainda são o pão italiano e a rosca de linguiça”, disse Sandra. “Mas a gente percebe que vem mudando agora. As pessoas mais novas estão nos conhecendo por causa dos lanches, do panino.” O de mortadela com pistache e tomate seco estava divino, diga-se. E você pode pedir ali, com uma taça de vinho.
Com DC NEWS