Mundo

01/07/2022 as 19:50

Manifestantes invadem Parlamento da Líbia em ato contra crise

País vive cenário de caos desde queda de Khadafi em 2011

Agência: Ansa
Foto: EPA / Ansa / https://ansabrasil.com.br/ansausers/brasil/flash/internacional/2022/07/<?php echo $paginatitulo ?>

Um grupo de manifestantes invadiu nesta sexta-feira (1º) o Parlamento da Líbia, na cidade de Tobruk, para protestar contra a crise econômica, a deterioração das condições de vida e o impasse político no país.

Segundo as emissoras locais de TV, os manifestantes entraram no prédio e realizaram saques, além de colocarem fogo em documentos. As imagens mostram grossas colunas de fumaça subindo do perímetro da estrutura.

Testemunhas informaram que os militantes queimaram pneus e fizeram uma fogueira na frente do edifício.

Manifestações foram organizadas nas cidades de Misrata e Tobruk, coincidindo com uma marcha semelhante em Trípoli, para denunciar a degradação das condições de vida, protestar contra as forças políticas que paralisam o país e convocar eleições o mais rápido possível.

A multidão denuncia particularmente a crise de falta de energia que se agravou recentemente sem que os sucessivos governos conseguissem encontrar uma solução.

Entenda a crise -

A mais nova crise na política da Líbia começou no fim do ano passado, quando o governo informou que as eleições presidenciais, que deveriam ocorrer em 24 de dezembro, seriam canceladas para 2022.

Dividida em dois Parlamentos, unificados após uma derrota militar do marechal Khalifa Haftar em 2019, a Líbia tem uma sede política em Tobruk e outra em Trípoli. Essa última é reconhecida pela comunidade internacional.

Em março do ano passado, em acordo dos dois lados, Abdel Hamid Dbeibah foi escolhido como premiê com a principal função de realizar eleições após 10 anos. No entanto, em novembro, a parte de Tobruk aprovou uma moção para remover o premiê por conta de seu fracasso já visível, mas o Conselho de Estado de Trípoli vetou o pedido.

No entanto, no início de fevereiro, os dois lados chegaram a um acordo para fazer uma votação e eleger um novo nome para a chefia do governo, novamente, com a missão de realizar eleições livres no país.

Uma comissão parlamentar determinou que ela deverá ocorrer 14 meses depois do Parlamento aprovar modificações na Declaração Constitucional, que ainda não tem prazo de votação. Ou seja, o pleito não acontecerá neste ano.

Após uma eleição conturbada, Fathi Bashagha foi anunciado como vencedor por "aclamação", mas o resultado foi contestado por Dbeibah e por milícias que o apoiam.

Um grupo delas, inclusive, emitiu uma nota em que condena "o governo paralelo líbio" e pede ao presidente do país, Mohamed Yunis al-Menfi, que dissolva o Parlamento e realize eleições parlamentares.

Os grupos ainda dizem que essa manobra para por Bashagha no cargo fará com que o marechal Haftar tome o poder dando um golpe político após ter sido derrotado militarmente.