Mundo

20/06/2022 as 09:00

Gustavo Petro leva esquerda ao poder na Colômbia pela 1ª vez

Ex-guerrilheiro derrotou empresário de extrema direita

Agência: Ansa
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A Colômbia, segundo país mais populoso da América do Sul, terá um presidente de esquerda pela primeira vez em sua história.

O ex-prefeito de Bogotá Gustavo Petro, de 62 anos, derrotou o empresário populista de extrema direita Rodolfo Hernández no segundo turno das eleições presidenciais por um placar de 50,4% a 47,3% e ganhou o direito de governar até 2026.

Além disso, Petro terá como vice-presidente a advogada e ex-trabalhadora doméstica Francia Márquez, primeira mulher negra a ocupar o cargo.

"Hoje é um dia de festa para o povo. Que festeje a primeira vitória popular. Que tantos sofrimentos sejam amortecidos na alegria que hoje inunda o coração da pátria", declarou o presidente eleito após a vitória.

Depois de ter vencido o primeiro turno com pouco mais de 40% dos votos, Petro conseguiu conter o crescimento de Hernández, que nas últimas semanas teve o apoio dos partidos da direita tradicional na Colômbia.

"Liguei para Gustavo Petro para felicitá-lo como presidente eleito colombiano. Decidimos nos encontrar nos próximos dias para iniciar uma transição harmoniosa, institucional e transparente", afirmou o atual ocupante do cargo, o impopular Iván Duque.

Hernández, por sua vez, disse aceitar a derrota e desejou que o vencedor "saiba dirigir o país". "Que seja fiel a seu discurso contra a corrupção e que não engane quem confiou nele. Muitíssimo obrigado a todos os colombianos que aceitaram minha proposta, ainda que eu tenha saído perdedor", declarou.

Além de marcar o fim do histórico bipartidarismo conservadores-liberais que dirigiu a Colômbia por 200 anos, as eleições de 2022 tiveram uma vitória inédita da esquerda no país.

Petro integrou a guerrilha M-19 na juventude, com o apelido de Aureliano, inspirado em um personagem de "Cem Anos de Solidão", obra-prima do escritor colombiano Gabriel García Márquez, porém nunca participou de operações armadas. Na década de 1980, chegou a ser preso por posse ilegal de armas e cumpriu pena de 18 meses de cadeia.

Após abandonar a guerrilha, foi deputado, prefeito da capital Bogotá, senador e candidato a presidente em três ocasiões, sendo a primeira em 2010, quando teve apenas 9% dos votos, e a segunda em 2018, quando foi derrotado por Duque no segundo turno por 54% a 42%.

A vitória de Petro também representa um desafio para os Estados Unidos, que há décadas têm a Colômbia como aliada fiel e pedra fundamental de sua política de segurança na América Latina.

O presidente eleito promete combater as desigualdades no país, pacificar os conflitos com guerrilhas que ainda não depuseram as armas e enfrentar as mudanças climáticas.

O resultado na Colômbia ainda confirma o renascimento da esquerda na América do Sul, que já tinha se expressado com as vitórias de Alberto Fernández na Argentina, Gabriel Boric no Chile, Luis Alberto Arce na Bolívia e Pedro Castillo no Peru.

Candidato a ser o próximo dessa lista, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva parabenizou Petro e Márquez pelo triunfo. "Felicito calorosamente os companheiros Gustavo Petro e Francia Márquez e todo o povo colombiano pela importante vitória nas eleições deste domingo. Desejo sucesso a Petro em seu governo. A sua vitória fortalece a democracia e as forças progressistas na América Latina", disse o petista.