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01/05/2021 as 13:26

No 'Dia do Trabalho', Itália expressa esperança na retomada

Diversas mobilizações foram realizadas no país

Agência: Ansa
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A Itália celebra, neste sábado (1º), o "Dia do Trabalho", com uma mobilização organizada pelos principais sindicatos do país para pedir medidas do governo para melhorar o setor trabalhista e expressar esperança no plano de recuperação pós-pandemia.

Respeitando o protocolo sanitário para evitar a propagação da Covid-19, a Confederação-Geral Italiana do Trabalho (CGIL), a União Italiana do Trabalho (UIL) e a Confederação Italiana dos Sindicatos dos Trabalhadores (CSIL) estão promovendo uma série de atividades sob o slogan "A Itália pode ser curada com trabalho".

Em decorrência da pandemia, os dirigentes dos três sindicatos optaram por fazer discursos sobre "reconstrução", como um sinal de confiança na perspectiva de um reinício do país, em três lugares simbólicos do mundo do trabalho.

O secretário do maior sindicato, a CGIL, Maurizio Landini, foi para a siderúrgica Terni; o do CSIL, Luigi Sbarra, foi até o hospital do município romano de Fontana di Papa; e o da UIL, Pierpaolo Bombardieri, se manifestou em frente a uma sede da Amazon.

A emergência sanitária exigiu a renúncia ao Concertone na Piazza San Giovanni, que será realizado no "Auditorium della Musica", com uma presença limitada de público.

"Em uma fase difícil da vida do país, em que é necessário recomeçar juntos, com responsabilidade e coesão social, queremos reivindicar conjuntamente o valor da importância do emprego para reconstruir os alicerces do nosso país e enfrentar os sérios problemas de igualdade e solidariedade, consequências econômicas e sociais da pandemia", diz um comunicado conjunto das organizações.

A expectativa é de que sejam realizadas diversas iniciativas em toda a Itália, incluindo transmissões ao vivo em Milão com "as vozes do sindicato e dos envolvidos nos setores particularmente afetados pelos efeitos da emergência sanitária". Em Brescia, por sua vez, ocorrerá uma homenagem aos trabalhadores de um posto de vacinação, enquanto que em Nápoles o sindicato escolheu um símbolo atual da luta pelo trabalho, a fábrica da Whirlpool.

"Não vejo isso como uma festa, mas como um dia de raiva. Não é uma festa, mas um dia de mobilização", afirmou Bombardieri.

Para Landini, "não é um 1º de maio normal, não é simplesmente uma festa, este ano é um dia de luta e mobilização". "Queremos colocar o trabalho de volta ao centro, a sua capacidade de mudar as coisas, sua capacidade de curar o país", afirmou.

Ontem (30), o governo do premiê Mario Draghi enviou a versão final do Plano Nacional de Retomada e Resiliência (PNRR), documento que vai orientar o uso dos repasses do fundo da União Europeia para o pós-pandemia, para a análise da Comissão Europeia. O plano totaliza 222,1 bilhões de euros, dinheiro a ser empregado até 2026, e é dividido em seis macroáreas.

Em discurso por ocasião do Dia do Trabalho, o presidente da Itália, Sergio Mattarella, afirmou que este momento "é uma oportunidade para expressar a confiança no futuro, de quem quer conquistar novos objetivos e não de quem assiste inerte".

"A república não poderia viver sem trabalho e será o trabalho que tirará o país desta emergência", afirmou o chefe de Estado.

Mattarella prestou homenagem às vítimas dos acidentes de trabalho depositando uma coroa de flores na sede da Previdência Social em Roma e posteriormente liderou uma cerimônia no Palácio do Quirinale.

"A batalha pelo trabalho é uma batalha que deve unir os esforços de todos e essa é a ambição do PNRR. Devemos reconhecer o bem comum e persegui-lo, não podemos perder a oportunidade de dar um passo juntos", disse.

Para Mattarella, "a responsabilidade das instituições, como é evidente, cresceu hoje e confirma-se como decisiva" para o destino do país.

"A luta contra o vírus, a defesa da saúde, os gigantescos investimentos previstos para dar um recomeço recordam mais uma vez a ideia mais elevada de política, que é serviço ao bem da comunidade. Mas para dar um salto, todos devem participar, contribuir. Estou certo de que de tanto sofrimento nasceu uma consciência que prevalece sobre a tentação de se entregar ou cavalgar o desespero", finalizou.