Maputo, 01 de outubro (AIM) – O Ministério dos Recursos Minerais e Energia de Moçambique (MIREME) nega que o país esteja enfrentando outra crise de combustível, apesar das longas filas de veículos nos postos de abastecimento em Maputo e outras cidades.
Na segunda e terça-feira, longas filas foram observadas nos postos de gasolina, o que aumentou as preocupações com um possível retorno à escassez de combustível vivenciada no país em abril e maio do ano passado.
Há uma semana, centenas de mototaxistas protestaram contra a escassez de combustível na província de Nampula, no norte do país. Os manifestantes bloquearam as principais vias da cidade, incluindo trechos da principal rodovia norte-sul do país, a Rodovia Nacional Número Um (EN1). A interrupção afetou gravemente a circulação de pessoas e cargas pela cidade durante o horário de pico da manhã.
A MIREME, em comunicado, afirma que o abastecimento de combustível continua normal em todo o país, visto que não houve interrupção nos estoques. No entanto, admitiu que essas dificuldades estiveram relacionadas a restrições logísticas durante o fim de semana, que coincidiu com a celebração de um feriado nacional, que marcou o 60º aniversário da Luta de Libertação Nacional e o 51º aniversário do Dia das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM).
“As restrições afetaram o ciclo regular de carregamento e distribuição, impedindo que alguns postos de gasolina recebessem combustível a tempo. Vários postos no centro de Maputo estavam fechados, enquanto outros com combustível disponível enfrentavam longas filas”, diz a nota.
Segundo o documento, equipes operacionais foram mobilizadas no Terminal de Matola, permitindo o carregamento de 1,176 milhão de litros de gasolina, número próximo à média diária de cerca de 1,2 milhão de litros.
O ministério revelou que 8.000 toneladas de gasolina deverão chegar a Moçambique até quinta-feira, acrescentando que o combustível atualmente disponível é suficiente para atender à demanda em Maputo.
Para evitar situações semelhantes, a MIREME afirmou que irá reforçar a coordenação entre os operadores na cadeia de abastecimento de combustível, prolongar o horário de carregamento nos terminais quando necessário e permitir operações de carregamento aos sábados.
“As medidas visam garantir maior continuidade na distribuição de combustível durante fins de semana prolongados e períodos de aumento da demanda”, diz a nota.
A escassez de combustível anterior causou longas filas de veículos nos postos de gasolina em Maputo e outras cidades. Segundo as autoridades, a crise foi influenciada pela guerra de agressão dos EUA e de Israel contra o Irã e pelo fechamento do Estreito de Ormuz, responsável pelo fluxo diário de quase 20% das vendas mundiais de petróleo.
Cerca de 80% das importações de combustível de Moçambique passam por rotas ligadas ao Estreito de Ormuz, o que significa que o impacto da guerra no Oriente Médio é potencialmente desastroso para a economia do país.
Essa situação obrigou o governo a aumentar, no início de maio, os preços dos principais combustíveis líquidos em até 45,5%.
As autoridades também apontaram a falência de distribuidores de combustível e a escassez de moeda estrangeira (particularmente dólares americanos) como as principais causas da crise.
(MIRAR)
Com AIM