Geral

21/07/2021 as 11:30

Mais de 1 milhão de crianças ficaram órfãs na pandemia de Covid

Número sobe para 1,5 milhão quando são considerados tios e avós

Agência: Ansa
Foto: Ansa / ansabrasil.com.br/ansausers/brasil/flash/ciencias/2021/07/21/mais-de-1-milhao<?php echo $paginatitulo ?>

Mais de um milhão de crianças ficaram órfãs de pai ou de mãe por causa da Covid-19, informou um complexo estudo mundial publicado pela revista científica "The Lancet" na noite desta terça-feira (21). Quando são consideradas as perdas de tios e avós, o número sobe para 1,5 milhão de crianças.

A pesquisa coletou dados entre 1º de março de 2020 até 30 de abril de 2021 em 21 países. Esse grupo de nações corresponde a 77% das mortes contabilizadas por coronavírus Sars-CoV-2.

Uma das autoras do estudo, Susan Hillis, que trabalha no Centro de Controle de Doenças e Prevenção dos Estados Unidos (CDC), destacou que "para cada duas mortes por Covid-19 no mundo, há uma criança que viu morrer ao menos um genitor ou uma pessoa de referência importante".

O país mais afetado foi o Peru, onde 10 crianças em cada mil perderam ao menos uma pessoa de referência primária (pai, mãe, tio, tia, avó, avô), totalizando 98.975 menores de idade.

Na sequência, aparecem África do Sul (5 crianças a cada mil, totalizando 94.625) e México (3 a cada mil, em um total de 141.132). O Brasil figura na quarta colocação, com duas crianças a cada mil e um total de 130.363 menores.

Sobre o país, o estudo mostrou que 25.608 crianças perderam a mãe, 87.529 o pai, 13 ficaram órfãs de ambos, totalizando 113.150. Outras 8.567 perderam a avó e 8.577 o avô e 69 perderam ambos.

Já a Itália aparece com 3.568 crianças que perderam a sua pessoa de referência primária.

O estudo, que usou uma metodologia bastante complexa para fazer o cálculo, alerta que as "crianças que perderam um parente ou um cuidador estão mais propícias a sofrer efeitos adversos de curto e de longo prazo sobre sua saúde, segurança e bem-estar, como um aumento do risco de sofrerem de doenças, abusos físicos, violência sexual e gestação na adolescência".

A matéria ainda pede "a adoção de medidas urgentes" em todo o mundo para responder o mais rápido possível "ao impacto das perdas".