O porta-voz presidencial José Luis Gálvez declarou nesta quinta-feira que a operação que levou à prisão do Procurador-Geral do Estado, Roger Mariaca, e outros, “está apenas começando” e anunciou que as investigações continuarão para estabelecer o alcance e as responsabilidades de uma suposta estrutura ligada ao narcotráfico e aos mecanismos de proteção de pessoas em posições de poder.
“Isto é apenas o começo, a operação continua, a investigação continua e, por razões operacionais, como todos compreenderão, não vamos antecipar nomes, revelar movimentações ou comprometer provas”, afirmou Gálvez durante uma conferência de imprensa.
O porta-voz explicou que a confidencialidade das informações visa impedir que pessoas potencialmente sob investigação tomem conhecimento do escopo das investigações e interfiram nelas.
“Não vamos alertar nenhuma pessoa sob investigação revelando o rumo da investigação, mas garanto que isto é apenas o começo”, disse ele.
Gálvez indicou que uma das hipóteses que norteiam a investigação é a de que uma organização ligada ao tráfico de drogas possuía mecanismos de proteção dentro do Estado.
“Qual é a hipótese de pesquisa que orienta todo esse esforço? Que uma organização ligada ao tráfico de drogas tenha mecanismos de proteção dentro do próprio Estado”, afirmou ele.
Nesse sentido, ele sustentou que as investigações deveriam determinar quem participou, como atuaram e quais decisões foram tomadas para favorecer uma eventual proteção.
“A investigação determinará quem participou, como atuaram, desde quando o fizeram, quem protegeram e quais decisões tomaram para favorecer a impunidade”, disse ele.
O porta-voz também informou que os telefones das pessoas detidas estão sendo analisados para estabelecer contatos e rastrear o histórico de chamadas.
“Estamos satisfeitos que os telefones dos detidos estejam sendo analisados. Há um monitoramento contínuo de todos os contatos realizados, do fluxo de chamadas, porque o que está em ação aqui é uma organização criminosa”, afirmou ele.
Gálvez afirmou que o governo apoia as ações da polícia boliviana e reiterou que a operação foi realizada em resposta ao que ele considera um caso claro de delito flagrante. No entanto, enfatizou que as responsabilidades devem ser apuradas dentro do devido processo legal.
“Não haverá condenações antes do julgamento? Obviamente que não. Elas são inapropriadas. O que haverá é o devido processo legal”, afirmou ele.
Ao mesmo tempo, ele afirmou que a posição de uma pessoa não pode impedir uma investigação.
“Mas também não haverá impunidade concedida antecipadamente com base no cargo que alguém ocupa”, acrescentou.
Durante seu discurso, Gálvez também se dirigiu aos promotores que continuam a desempenhar suas funções e garantiu-lhes que a operação não tem como objetivo afetar seu trabalho.
“Esta operação não é contra vocês. Esta operação também visa proteger o trabalho que vocês realizam”, afirmou ele.
Ele pediu aos procuradores que continuassem a desempenhar suas funções “com absoluta normalidade, com independência, com responsabilidade e em defesa da sociedade”.
“A Bolívia precisa de um Ministério Público forte e saudável, com procuradores independentes que não recebam ordens de organizações criminosas”, afirmou.
Nessa linha de raciocínio, ele afirmou que o objetivo do Governo não é destruir a instituição, mas recuperar sua independência.
“Não se trata de destruir a instituição, mas de expurgá-la de qualquer possível influência criminosa”, afirmou ele.
O porta-voz também alertou que nenhuma autoridade estará isenta de responder perante a justiça se houver provas de envolvimento em crimes.
“Não importa o cargo que uma pessoa ocupe, o poder que ela tenha, a que partido político pertença ou quem a nomeou”, afirmou ele.
Ele acrescentou: “Se houver provas de envolvimento em crimes, eles terão que responder perante a justiça.”
Gálvez insistiu que a investigação continuará até que as responsabilidades correspondentes sejam estabelecidas e afirmou que o Governo não divulgará novos nomes para não afetar o processo.
“A decisão do presidente Rodrigo Paz Pereira é clara. A investigação deve ir até o fim, as provas devem ser protegidas, a lei deve ser respeitada e ninguém deve ser protegido”, concluiu.
Com ABI