Mundo

22/01/2021 as 20:30

Negociação de governo e agricultores em greve na Índia é paralisada

Produtores pedem revogação definitiva de três leis agrícolas; governo quer suspensão por tempo limitado

A Referência
Foto: Twitter/All India Kisan Sangharsh Coordination Committee)<?php echo $paginatitulo ?>

Por Redação

A expectativa para o fim dos protestos de agricultores na Índia, após meses de negociação, foi por água abaixo nesta sexta-feira (22). Enquanto os produtores esperavam a revogação definitiva de três leis agrícolas, o governo sugeriu uma suspensão por tempo limitado.

No dia 12, a Suprema Corte indiana ordenou a suspensão das controversas leis, que levaram milhares de trabalhadores rurais a bloquear rodovias nos arredores de Nova Délhi desde novembro.

O governo, então, concordou em retirar as leis e definir uma comissão conjunta para chegar a um consenso com os produtores.

Desta vez, porém, o governo Modi pediu que os sindicatos reconsiderassem a proposta de suspender as leis por 12 a 18 meses. Sem o ok de nenhuma das partes, as tratativas voltam à estaca zero.

Líderes sindicais disseram ao jornal “The Times of India” que mantêm a reivindicação pela reversão total da legislação. Os agricultores também pedem uma garantia legal para o sistema de Preço Mínimo de Apoio.

Segundo eles, as leis do premiê Narendra Modi ameaçam os subsídios e expõem os produtores à “boa vontade” das grandes empresas. O temor é o de que a pobreza aumente entre os agricultores.

Ao contrário das últimas dez rodadas, as partes não definiram data para a próxima reunião. Nova Délhi afirmou que só se reunirá novamente quando os sindicatos concordarem em discutir a proposta de suspensão.

Agricultores não cedem
Em resposta, os líderes de agricultores disseram que intensificarão os protestos. Eles defendem que a abordagem do governo não foi correta. Em uma reunião de cinco horas, os dois lados só ficaram frente a frente por menos de 30 minutos.

“Mesmo se aceitarmos a oferta do governo, os agricultores sentados nas fronteiras de Nova Délhi não aceitarão nada além da revogação das leis”, disse o presidente de um dos mais de 40 sindicatos em negociação, Harpal Singh.

“Vamos morrer aqui, mas não vamos voltar sem ter as leis revogadas”. Vários manifestantes já morreram de frio e pelo menos quatro se suicidaram desde o início dos protestos.