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20/01/2021 as 13:34

Na Tunísia, jovens em protesto relembram Primavera Árabe

Protestos na Tunísia já chegam ao quinto dia com forte repressão policial e mais de 600 detidos

A Referência
Foto: Anadolu Agency/Yassine Gaidi / /areferencia.com/democracia-no-mundo/na-tunisia-joven<?php echo $paginatitulo ?>

Os altos índices de desemprego entre a população jovem desencadearam uma onda de protestos violentos em toda a Tunísia. As manifestações chegaram ao quinto dia nesta quarta-feira (20) e relembram a Primavera Árabe, de 2011.

A falta de trabalho já atinge um terço dos jovens do país, de 11,7 milhões de habitantes, ao norte da África. Nos protestos, os manifestantes saqueiam e vandalizam edifícios públicos. Há confronto direto com a polícia, relatou a Associated Press.

A maioria dos embates ocorre em distritos pobres e de alta densidade populacional. Nesta madrugada, os manifestantes reviveram os cânticos da Primavera Árabe e enfrentaram forte repressão policial na capital Túnis e em Sidi Bouzid, berço dos levantes em 2011.

“O povo quer a queda do regime”, diziam os jovens nas ruas de Túnis. O movimento, que teve origem na Tunísia e se espalhou por diversos países do Oriente Médio e Norte da África, culminou na queda de ditadores e por demandas pela democracia nos países da região.

Em Sidi Bouzid, a polícia disparou gás para dispersar os ativistas, disseram testemunhas à Reuters. Os jovens queimaram pneus e bloquearam estradas.

Governo tenta repreender protestos
O não cumprimento de promessas do presidente Kais Saied, eleito por vias democráticas em 2018, minou as expectativas dos jovens. Com uma economia à beira da falência, 18% da população apta a trabalhar está sem emprego.

Além disso, um quinto do país vive abaixo da linha da pobreza, conforme o Instituto Nacional de Estatística. Para tentar conter os protestos, o primeiro-ministro Hichem Mechichi ordenou o bloqueio de quatro dias e toque de recolher noturno.

O governo alega que o objetivo é impedir a contaminação por Covid-19 e “maneirar os protestos”. O Exército foi convocado a conter as tensões. Já são mais de 600 manifestantes presos.

Os protestos da Primavera Árabe causaram a destituição do presidente Zine al-Abidine Ben Ali na Tunísia, após 24 anos no poder. O autocrata morreu em 2019, aos 83 anos, na Arábia Saudita, onde permanecia em exílio.