Mundo

20/10/2020 as 13:08

Na Nigéria, protestos param Lagos e polícia responde com mais violência

Protestos surgiram para reivindicar fim de batalhão especial; governo afirma que há ‘criminosos’ entre manifestantes

fonte
Foto: Twitter/Anistia Internacional<?php echo $paginatitulo ?>

Por Redação

Parece ironia: a violência policial aumentou na Nigéria após a onda de protestos do #EndSARS. O movimento pede o fim dos abusos das forças de segurança contra a população do país e parou Lagos, a maior cidade do país, nesta segunda (19).

Em um relatório publicado na última quinta (15), a Anistia Internacional relatou uma “grave preocupação” sobre a escalada de violência policial durante as manifestações.

Em Lagos, as passeatas bloquearam a autoestrada Ibadan, uma das vias arteriais da cidade. O tráfego ali, já conhecido pelos gigantescos engarrafamentos, acabou bloqueado e pessoas preferiram continuar seus trajetos a pé, segundo o “The Wall Street Journal“.

Os protestos, que se desenrolam desde o dia 11, foram o principal motivo para a diluição do batalhão SARS (Esquadrão Antirroubo Especial). Os agentes da brigada, criada para combater casos de roubos e assaltos, são acusados de assédio, prisões ilegais, tortura e assassinato.

Desde então, no entanto, as manifestações acabaram envolvendo reformas mais amplas, como melhoria governamental e fim do racismo – todos impulsionados nas redes sociais.

Evidências de agressão policial
Nesta segunda (19), vários acontecimentos somam evidências ao abuso das forças de segurança nigerianas.

Um adolescente de 17 anos teria sido morto sob custódia policial no estado de Kano, no norte do país, após sessão de tortura, denunciou a Anistia. A polícia não comentou a alegação.

Manifestantes também foram reprimidos com gás lacrimogêneo durante protestos pacíficos na capital Abuja. Nenhum número foi divulgado, mas dezenas ficaram gravemente feriados, apontou a ONG.

De acordo com a Anistia, criminosos armados teriam atacado manifestantes no centro da capital Abuja. No sul do estado de Edo, os agressores se integraram aos protestos para sacar armas e incendiar prédios da polícia.

O tumulto afetou o funcionamento de um dos presídios do estado e facilitou a fuga de mais de 200 presos, disse o governo.

Com o avanço da violência, o governo de Ed, no centro-sul, decretou um toque de recolher por tempo indeterminado. As autoridades atribuem a violência a “bandidos disfarçados de manifestantes”, informou a BBC.

Os protestos na Nigéria vêm na esteira de uma crise econômica acentuada pela queda do preço do petróleo e o impacto da pandemia no país. Com um rápido crescimento populacional, mais de 55% dos nigerianos estão subempregados ou desempregados.