Mundo

17/10/2020 as 10:53

África deve aproveitar boom de capital humano jovem, diz especialista da ONU

Conselho é de Cristina Duarte, assessora de Guterres, da ONU, e ex-ministra das Finanças de sua Cabo Verde natal

A Referência
Foto: UN Photo/Nektarios Markogiannis<?php echo $paginatitulo ?>

A cada dez africanos, seis são jovens. Com um bilhão de pessoas no continente, é capital humano de sobra para impulsionar o desenvolvimento, afirma Cristina Duarte, conselheira para a África de António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas.

Para a representante, de origem cabo-verdiana, os jovens são “um grande ativo” do continente para os próximos anos. Duarte falou com o portal de notícias da ONU (Organização das Nações Unidas).

“O que é que nos tem faltado, do ponto de vista das políticas públicas, para tirar todo o partido deste grande ativo que é a juventude africana, particularmente as mulheres africanas jovens?”, questiona.

Para Duarte, será fundamental investir em novas tecnologias para todos, a começar pela geração de energia solar. Seria uma forma de usar o clima quente e ensolarado da região como motor do desenvolvimento.

“Não pode ser em uma base ad-hoc [do latim, para um fim específico], com uma solução para uma pequena comunidade e fazermos barulho com uma televisão, não”, afirma.

Será preciso garantir chegada de novas tecnologias à base da pirâmide social, de forma a impulsionar o uso desse capital humano disponível no continente.

Jovens participam de curso técnico de panificação em Bor, no Sudão do Sul, em julho de 2018 (Foto: UN Photo/Nektarios Markogiannis)

Para o futuro próximo, Duarte recomenda um debate “com justiça e equilíbrio de poderes” em temas como a propriedade intelectual. Essas questões, afirma, são primordiais na agenda global se a meta for resolver de forma perene os problemas da região.

Com poucas patentes e recursos limitados para o pagamento de royalties, o continente africano atrasa seu desenvolvimento. Para Duarte, o segundo passo é diminuir o fluxo ilegal de capitais, por sonegação ou por corrupção.

A especialista, que foi ministra das Finanças de seu país, lembrou a necessidade do binômio entre políticas públicas eficiente e boa gestão financeira para garantir saltos em qualidade de vida para a população.