Mundo

15/07/2019 as 19:17

May critica Trump por comentários racistas sobre democratas

Magnata pediu para legisladoras voltarem a seus países de origem

Agência Ansa
Foto: Epa / AnsaFlash<?php echo $paginatitulo ?>

(ANSA) - A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, fez nesta segunda-feira (15) dura crítica contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após declarações consideradas racistas sobre mulheres congressistas do partido Democrata. Para a britânica, "a linguagem que foi usada para falar sobre as mulheres é totalmente inaceitável", segundo informou o porta-voz da líder dos conservadores.

Ontem(14), o republicano escreveu em sua conta no Twitter que as mulheres, cujas origens remetem a países cujos governos, segundo ele, seriam "os piores, os mais corruptos e ineptos em qualquer parte do mundo", deveriam voltar a essas nações. De acordo com Trump, elas "teimam em dizer à maior e mais poderosa nação do mundo como o nosso governo deve ser administrado".

"Por que elas não voltam e ajudam a consertar esses lugares totalmente quebrados e infestados de crime de onde vieram? Depois, retornem e nos digam como deve ser feito. Esses lugares precisam muito da ajuda de vocês", escreveu.

Apesar de não ter escrito os nomes das democratas, as mensagens provavelmente se referem à Alexandria Ocasio-Cortez, de Nova Iorque, Ilhan Omar, do Minnesota, Ayanna Pressley, de Massachusetts, e Rashida Tlaib, do Michigan. Apenas Omar, da Somália, nasceu fora dos Estados Unidos.
As declarações de Trump foram rebatidas pelas congressistas.

"Você incita ao nacionalismo branco porque se irrita com o fato de que pessoas como nós sirvam ao Congresso e lutem contra sua agenda repleta de ódio", escreveu Omar na rede social.
Já Tlaib declarou "luto contra a corrupção em NOSSO país.

Faço isso todos os dias quando, enquanto congressista dos EUA, responsabilizo seu governo".
"É assim que o racismo se apresenta. Nós somos como a democracia se apresenta", afirmou Pressley, enquanto que Ocasio-Cortez ressaltou que Trump tem raiva porque "não consegue conceber uma América que nos inclua".

As críticas de May surgem uma semana depois da crise diplomática desencadeada pela revelação de documentos diplomáticos confidenciais com comentários do embaixador do Reino Unido em Washington, Kim Darroch, contra Trump, que provocou a demissão do britânico.

Além da britânica, a ministra escocesa, Nicola Sturgeon, criticou Trump afirmando que "não é legal que o presidente dos Estados Unidos diga a políticos eleitos, ou a qualquer outro americano, que devem ir para outros países, a cortesia diplomática não deveria nos impedir de dizer a ele um não forte e claro".

Para a líder dos democratas na Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, os "comentários xenófobos" de Trump querem dividir a população.

Política migratória - A administração Trump também provocou polêmica ao anunciar nesta segunda-feira (15) uma regra interina, que não obteve a aprovação do Parlamento, para dificultar o processo de asilo no país. De acordo com a medida anunciada em uma declaração conjunta do Departamento de Segurança Interna e do Departamento de Justiça, os migrantes devem solicitar asilo no primeiro país em que chegarem.

Desta forma, a maioria dos migrantes que entram pela fronteira sul dos Estados Unidos terá primeiro que buscar asilo em um dos países pelos quais passaram, seja no México ou em qualquer outro da América Central.
Anunciando a mudança de regras, o procurador-geral dos EUA, William Barr, disse que impediria que "migrantes econômicos" explorassem o sistema de asilo dos EUA.
O objetivo é reduzir drasticamente o número de imigrantes ilegais encontrados perto da fronteira com o México.

"Um estrangeiro que entre ou tente entrar nos EUA através da fronteira sul, depois de não ter solicitado proteção em um terceiro país fora dos seus países de cidadania, nacionalidade ou de última residência legal habitual que tivesse transitado a caminho dos EUA, não está apto para o asilo", afirma a nova ordem publicada no Registro Federal e que entrará em vigor nesta terça-feira (16).

A União Americana das Liberdades Civis montou uma contestação legal contra a restrição, chamando-a de "ilegal". (ANSA)