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07/11/2018 as 19:28

Macron elogia general da Primeira Guerra Mundial que mais tarde colaborou com nazistas

O porta-voz do governo francês, Benjamin Griveaux, minimizou a questão como "falsa controvérsia"

Agência © Sputnik
Foto: © AP Photo /<?php echo $paginatitulo ?>

O presidente da França, Emmanuel Macron, elogiou nesta quarta-feira (7) um general da Primeira Guerra Mundial que posteriormente colaborou com os nazistas na Segunda Guerra Mundial.
Macron fez os comentários sobre o marechal Philippe Pétain em uma parada na cidade de Charleville-Mezieres. A programação é parte de sua turnê de seis dias por campos de batalha para marcar o centenário do fim da Primeira Guerra Mundial.

"O marechal Pétain também foi um grande soldado durante a Primeira Guerra Mundial", apesar de ter feito "escolhas fatais durante a Segunda Guerra Mundial", disse Macron. "Meu papel não é entender que é chocante ou comentar sobre as pessoas. Meu papel é tentar explicar, ser firme em minhas convicções, enfrentar nossa história."

Pétain levou o exército francês à vitória em Verdun em 1916, mas ganhou infâmia e uma condenação por traição por suas ações como líder da França sob a ocupação nazista. Ele é desprezado por sua cumplicidade no Holocausto e por sua participação na deportação de judeus franceses.

O incomum elogio presidencial foi criticado pelo principal grupo judeu da França, conhecido pelas iniciais CRIF. 

"Estou chocado com essa declaração de Macron", disse o presidente do CRIF, Francis Kalifat, à Associated Press.

"Pétain foi a pessoa que permitiu a deportação de 76 mil judeus franceses para campos de extermínio. Pétain assinou a [lei sobre] o status dos judeus que significava que os judeus eram excluídos da função pública, da educação e forçados a usar a estrela judia", acrescentou.

Kalifat disse que foi "um insulto" que um presidente francês pudesse honrar Pétain "no mesmo nível que os outros generais". Mas ele reconheceu o papel crucial do marechal na Grande Guerra que lhe valeu o apelido de "Leão de Verdun".

O porta-voz do governo francês, Benjamin Griveaux, minimizou a questão como "falsa controvérsia".