Geral

09/10/2018 as 10:29

Bolsonaro e Haddad tomam distância de Mourão e Dirceu

Candidatos criticaram projetos para nova Constituição

Agência: AnsaFlash / Conteúdo Licenciado
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(ANSA) - Os candidatos à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) tentaram se afastar de propostas consideradas antidemocráticas feitas por partidários e negaram a intenção de convocar constituintes.

Os dois postulantes ao Palácio do Planalto concederam uma breve entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo, na última segunda-feira (8), um dia após o resultado das eleições. Por ordem definida em sorteio, Haddad falou primeiro e foi questionado sobre a proposta de seu plano de governo de "criar as condições" para convocar uma assembleia constituinte.

"Nós revimos nosso posicionamento, vamos fazer as reformas devidas por emenda constitucional", declarou o petista, acrescentando que as três reformas que pretende fazer são a tributária, a bancária e a revogação do teto de gastos no setor público.

Haddad também foi questionado se concorda com a declaração do ex-ministro José Dirceu, que disse que o PT "tomará o poder, o que é diferente de ganhar uma eleição". "O ex-ministro não participa da minha campanha, não participará do meu governo, e eu discordo da formulação dessa frase. Para mim, a democracia está sempre em primeiro lugar", disse.

Por sua vez, Bolsonaro foi confrontado com as declarações de seu vice, general Hamilton Mourão, que defendeu a elaboração de uma nova Constituição por meio de um grupo de "notáveis" não eleitos pelo povo e a possibilidade de o presidente dar um "autogolpe" em situações de "anarquia".

"Ele é general, eu sou capitão. Mas eu sou o presidente. O desautorizei nesses dois momentos. Ele não poderia ir além daquilo que a Constituição permite. Jamais eu posso admitir uma nova constituinte, até por falta de poderes para tal. E a questão de autogolpe não sei, não entendi direito o que ele quis dizer naquele momento", respondeu.

Segundo o candidato do PSL, falta "um pouco de tato" e "vivência na política" a Mourão. "Ele rapidamente se adequará à realidade brasileira e à função tão importante que é a dele, mas nesses dois momentos ele foi infeliz, deu uma canelada", acrescentou.

Bolsonaro terminou o primeiro turno com 46% dos votos, contra 29% de Haddad. O segundo será disputado em 28 de outubro. (ANSA)