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20/09/2018 as 11:33

Em 'Risco', Cia do Relativo une o tradicional ao contemporâneo

Em "Risco", o nome do espetáculo também indica um passo do grupo em outra direção

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Foto: Reprodução<?php echo $paginatitulo ?>

Por Leandro Nunes
É no ritmo da evolução do teatro e da dança que o grupo Cia do Relativo quer estar. O coletivo de circo contemporâneo faz duas apresentações do espetáculo "Risco", nesta quinta-feira, 20, e sexta, 21, no Teatro Décio de Almeida Prado.

Fundado em 2009, o grupo estreou o primeiro espetáculo, "O Descotidiano", apostando na técnica de malabares trazida do circo tradicional, mas sempre em diálogo com o que se pode chamar de circo contemporâneo. Antes, é preciso entender essa vertente das artes circenses que está tão bem estabelecida no mundo, mas é ainda jovem ou pouco explorada no Brasil, conta Tássio Folli. "O circo tradicional está ligado à programação de diversos números anunciados por um apresentador. Mas assim como a dança e o teatro se sofisticaram ao longo do tempo e reinventaram modos de se expressar, o circo contemporâneo também faz parte de um desenvolvimento e uma pesquisa naturais nas artes circenses", afirma ainda.

Em "O Descotidiano", Otavio Fantinato manipula objetos do dia a dia, como bules, livros e bolas. Em uma estrutura de madeira, o artista faz números de equilíbrio. O mesmo se dá nos trabalhos anteriores, como Carta Branca e Cabaré?, conta Folli. "Em Cabaré?, há uma fusão de dança e teatro no formato do circo tradicional, realizado por uma sucessão de números, além da música ao vivo.

Em "Risco", o nome do espetáculo também indica um passo do grupo em outra direção. É a primeira produção do Relativo que não se baseia em número de malabarismo. "Deixamos os aparelhos tradicionais e nos inspiramos em uma folha de papel." Na montagem, um escritor está sentado em sua mesa quando 3.000 folhas de papel ganham vida. Papéis que foram amassados retornam do chão e a caneta do artista fica em pé sozinha. Folli e Fantinato se revezam na manipulação dos objetos e na execução dos truques. Para Folli, Risco surge como metáfora do mundo, por vezes inacessível, das ideias. "Queremos experimentar o prazer e a angústia que preenchem a vida de todo artista que se põe a criar."

RISCO

Teatro Décio de Almeida Prado. Rua Lopes Neto, 206. Tel.: 3079-3438. 5ª, 6ª, 19h. Grátis. Até 21/9.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.