Economia

30/07/2020 as 17:00

Brasil precisa acelerar a agenda de competitividade ou ficará para trás, diz economista

Cunha explica que o Brasil tem a maior taxa de juros real registrada e também o maior spread bancário da taxa de juros

Agência Sputnik
Foto: Divulgação<?php echo $paginatitulo ?>

Um levantamento colocou o Brasil entre os piores países em termos de competitividade. Sobre o assunto, a Sputnik Brasil ouviu a economista Samantha Cunha, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que aponta que o Brasil tem caminhado de forma lenta em termos competitivos.
Na quarta-feira (29), uma pesquisa divulgada pela CNI colocou o Brasil na penúltima posição em um ranking de competitividade que avaliou 18 países. Apenas a Argentina teve desempenho pior que o brasileiro no levantamento, que considerou 61 variáveis.

Samantha Cunha, economista da CNI, explica que o relatório desenvolvido pela instituição se espelha em modelos internacionais, mas parte do objetivo de avaliar a situação do Brasil.

"Para avaliar a situação do Brasil, ele [o levantamento] foca em 17 economias que possuem características sociais e econômicas similares à economia brasileira, com as quais faz mais sentido comparar", afirma a economista em entrevista à Sputnik Brasil.

O ranking da CNI apontou Coreia do Sul, Canadá, Austrália, China e Espanha como as economias mais competitivas na comparação. 

"O relatório buscou selecionar economias que possuem um nível de desenvolvimento similar ao do Brasil, economias do mesmo tamanho da economia brasileira, países que possuem uma inserção no mercado internacional similar ao Brasil e países vizinhos", detalha a economista, que ressalta ainda a presença dos países dos BRICS no ranking.

O documento elaborado pela CNI analisa nove fatores: ambiente macroeconômico; ambiente de negócios; educação; estrutura produtiva, escala e concorrência; financiamento; infraestrutura e logística; tecnologia e inovação; trabalho; e tributação.

"A baixa média geral obtida pelo Brasil reflete o fraco desempenho do país na maioria dos nove fatores analisados. Em nenhum dos nove fatores nós estamos entre os seis mais bem colocados. A situação mais grave do país é no fator financiamento, por conta dos custos elevados", aponta a economista.
Cunha explica que o Brasil tem a maior taxa de juros real registrada e também o maior spread bancário da taxa de juros. Além disso, em termos de tributação o país figura em 17º nos indicadores de carga tributária e qualidade do sistema tributário.

Apesar de avanços brasileiros em alguns dos fatores analisados, como no caso da educação e das relações trabalhistas, o país não melhorou de posição em relação ao último ranking divulgado pela CNI. Para Samantha Cunha, o Brasil tem avançado de forma lenta.

"Isso ocorre porque os países que estão à frente do Brasil também estão avançando, eles não estão parados, eles também estão caminhando. Além disso, o Brasil ainda possui uma distância significativa dos países que estão à sua frente. Esses resultados mostram que é importante acelerar a agenda de competitividade", conclui.