Economia

03/11/2018 as 09:10

Brasil conseguirá mais investimentos estrangeiros no próximo governo?

No entanto, para ele, a chance de isso acontecer na administração de Jair Bolsonaro seria insignificante

Agência Sputnik
Foto: © AFP 2018 / STR<?php echo $paginatitulo ?>

Jair Bolsonaro, do PSL, foi eleito no último domingo para governar o Brasil a partir do próximo mês de janeiro, com 55% dos votos válidos, contra cerca de 45% do petista Fernando Haddad. Em meio a muitas dúvidas e promessas nesse tumultuado período de transição, qual deve ser a expectativa do país em termos de investimentos estrangeiros?

A incerteza política e a imprevisibilidade eleitoral do Brasil em 2018 afugentaram investidores e afetaram negativamente a economia nacional. Dados da Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad) indicam que o país caiu, no primeiro semestre, do 6º para o 9º lugar entre os principais destinos de investimentos.

De janeiro a junho, foram enviados para o Brasil US$ 25,5 bilhões, uma queda de 22% ante os US$ 32,6 bilhões do mesmo período de 2017. Será o próximo presidente capaz de reverter esse quadro?Para o especialista em Finanças Internacionais Vinicius Rodrigues Vieira, professor visitante do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (IRI-USP), o próximo governo, liderado por Bolsonaro, tem tudo para ser bastante amigável em relação ao mercado, mas isso não significa que essa política será bem sucedida.

Isso porque, segundo ele, a principal fonte de investimentos para o Brasil ao longo dos últimos anos, a China, tem uma certa apreensão com a nova administração no Palácio do Planalto devido a atitudes do chefe de Estado eleito no período pré-campanha, incluindo uma visita a Taiwan, cuja independência não é reconhecida por Pequim. 

"O próprio [Donald] Trump fala da necessidade de investimentos na infraestrutura do país. Então, talvez, a prioridade seja o estímulo e não investimentos em aliados, mas o investimento interno", disse o acadêmico em entrevista à Sputnik Brasil, destacando a atração provocada pelas altas taxas de juros dos EUA e a necessidade de o Brasil aprovar uma reforma da Previdência alinhada com o mercado, além de privatizações e uma abertura da economia. 

Para escapar da dependência em relação a China e Estados Unidos, seria interessante, conforme sublinha o professor, diversificar as parcerias brasileiras ao redor do globo no próximo governo. No entanto, para ele, a chance de isso acontecer na administração de Jair Bolsonaro seria insignificante. 

"Acho que aí nem é uma questão de política econômica, é uma questão de política externa. Bolsonaro sempre fez uma crítica muito forte àquilo que seria uma política externa ideológica", explicou. "Não sou contra e acho razoável reforçar os laços com as ditas democracias ocidentais. De fato, elas ainda têm capital a ser investido no exterior. Mas o fato é que a fronteira do capitalismo global está se movendo para onde? Para o Oriente, para o Sul global."